SEGUIDORES...

1 de abril de 2011

História do Autismo

Na busca por compreender melhor esse transtorno chamado autismo, recomendamos fortemente a leitura do livro "Autism - Explaining the Enigma" (Oxford, Basil Blackwell, 1989), de Uta Frith. Transcrevemos trechos deste livro que consideramos esclarecedores dentro deste assunto. "O autismo não é um problema atual, embora só tenha sido reconhecido recentemente. Em virtude da breve história da psiquiatria, e da ainda mais curta história da psiquiatria infantil, sabemos que um transtorno descrito recentemente não é necessariamente um transtorno novo.

Um aumento no número de casos diagnosticados não significa necessariamente um aumento no número de casos. (...)" Página 16 de "Autism - Explaining the Enigma" (1989) de Uta Frith. "Como o Autismo foi Reconhecido Inicialmente Qualquer abordagem sobre o tópico autismo infantil deve referenciar os pioneiros Leo Kaner e Hans Asperger que, separadamente, publicaram os primeiros trabalhos sobre esse transtorno. As publicações de Kanner em 1943 e de Asperger em 1944 continham descrições detalhadas de casos de autismo, e também ofereciam os primeiros esforços para explicar teoricamente tal transtorno. Ambos acreditavam que desde o nascimento havia um transtorno básico que originava problemas altamente característicos. Parece uma coincidência notável o fato de que ambos escolheram a palavra ‘autista’ para caracterizar a natureza do transtorno em questão. Na verdade, não é uma coincidência, uma vez que esse termo já tinha sido apresentado pelo eminente psiquiatra Eugen Bleuler em 1911. Originalmente, esse termo se referia a um transtorno básico em esquizofrenia (outro termo lançado por Bleuler), mais especificamente, o estreitamento do relacionamento com as pessoas e com o mundo exterior, um estreitamento tão extremo que parecia excluir tudo, exceto a própria pessoa. Este estreitamento poderia ser descrito como um afastamento da estrutura de vida social para a individualidade. Daí as palavras ‘autista’ e ‘autismo’, originárias da palavra grega autos, que significa ‘próprio’. Atualmente, elas são aplicadas quase que exclusivamente ao transtorno de desenvolvimento que aqui chamamos de autismo, com a maiúsculo. Prefiro usar o termo Autismo a usar ‘autismo infantil precoce’ ou ‘autismo infantil’, termos que contrastam com ‘autismo adulto’, e podem erroneamente sugerir que possamos nos desenvolver e não mais ser portadores do transtorno. Tanto Kanner, trabalhando em Baltimore, quanto Asperger, trabalhando em Viena, notaram casos de crianças diferentes que tinham em comum algumas características fascinantes. Acima de tudo, as crianças pareciam incapazes de desenvolver um relacionamento afetivo normal com as pessoas.

Em contraste ao conceito de esquizofrenia de Bleuler, o transtorno parecia existir desde o começo. O artigo de Kanner tornou-se o mais citado em toda a literatura sobre autismo, enquanto que o artigo de Asperger, escrito em alemão e publicado durante a Segunda Guerra Mundial, foi largamente ignorado. Surgiu uma crença de que Asperger descreveu um tipo bem diferente de criança, que não devia ser confundido com o de Kanner. Esta crença não tem fundamento, o que percebemos quando recorremos aos artigos originais. A definição de autismo feita por Asperger ou como ele a chamava ‘psicopatologia autista’ é bem mais ampla que a de Kanner. Asperger incluía casos que mostravam um dano orgânico severo e aqueles que transitavam para a normalidade. Atualmente, o termo ‘síndrome de Asperger’ tende a ser reservado para as raras crianças autistas quase normais, inteligentes e altamente verbais. Claramente, não era isso que Asperger pretendia, mas essa categoria especial teve utilidade clínica. Atualmente, a síndrome de Kanner é freqüentemente usada para indicar a criança com uma constelação de aspectos clássicos ou ‘nucleares’, assemelhando-se, em detalhes surpreendentes, às características que Kanner identificou em sua primeira descrição inspirada. Novamente, a categoria é clinicamente útil, pois transmite um padrão de protótipo. (...)" Páginas 7 e 8 de "Autism - Explaining the Enigma" (1989) de Uta Frith.
 
FONTE: http://www.ama.org.br/html/info_hist.php

0 comentários:

Postar um comentário

Template by:

Free Blog Templates